Na 15ª Semana Nacional do Marketing, em pleno Congresso Nacional do Marketing, entrevistamos César Couto Ferreira (Vice), João Vitória e Vasco Durão (Shaker) e António Paraíso sobre o essencial das apresentações que fizeram.

César Couto Ferreira, Diretor Geral da Vice Portugal

P: O que é a Vice?

R: A Vice é um publisher online que também tem um free press. Mas que de momento o modelo de negócio não está em Portugal. Já tivemos. A revista que é visionária, que vê o futuro e que conta as histórias, daqui a 20 anos. No fundo é um publisher que tem uma cadeia de ação e de valor muito interessante que engloba uma agência criativa, a Virtue, e que tem uma rede de publicidade online que é a Advice. É isto que transforma um publisher com o statement: “youth leading marketing”.

Em Portugal, estamos a crescer calmamente, hoje, curiosamente, estamos a abrir o nosso escritório em Lisboa, vamos estar no Village Underground. Por isso, apareçam, são todos convidados a fazerem novos insights, planos de marketing com a Vice, nós estamos cá para ajudar.

 

P: Bom convite. Falaste muito de story telling. Fala-nos um pouco mais sobre isso para quem não pode ver a apresentação.

R: A razão pela qual eu falei das histórias e do poder do story telling tem a ver com o content Marketing. Ou seja, a maneira como nós nos relacionamos com o marketing, a maneira como nós contamos conteúdos e a maneira como associamos as marcas a esses conteúdos. Aquilo que eu falei e que acho importante reter é o valor estático da comunicação. Por exemplo, o valor de um moopie ou outdoor, tem o valor daquilo que tu conseguires alugar. Ou seja, se consegues pagar para alugar durante 3 semanas ou dois meses, tem esse valor. Mas não cria essa relação emocional, não cria qualquer memória coletiva, ou seja, não há story telling para essa pessoa divulgar. Ninguém vai por um post fantástico da marca “ tal e tal”. No entanto se fizeres um moppie interativo com uma história e metes um bilhete para o Rock in Rio, exclusivo, VIP e só tens aquele bilhete num vidro translucido. Obviamente que as pessoas vão falar da hipótese de obter aquele moppie. E podes ainda captar essas histórias. É que de certeza que vai haver um maluco qualquer que vai querer partir aquele vidro com uma mota, com um carro com vidro inquebrável para ir ao Rock in rio como VIP.

 

P: Se contente é king, o marketing é…?

R: Queen! É Queen e muito mais. Era aquilo que estávamos a discutir e é uma discussão que tem vindo a acontecer com muitas pessoas que é o importante não é ser queen ou king. O importante são as conversas e isso o marketing tem de saber direcionar e dar-lhe o sentido e o âmago necessário para tornar a conversa mais apelativa. Aquilo que eu noto é que as conversas estão chatas. Porque é isso que noto, as pessoas têm medo em arriscar nestas novas narrativas, são as narrativas que fazem sentido para esta geração. Esqueçam essas coisas pré-históricas de vamos fazer marketing direto, integrado, relacional. Hoje o que é importante é por as pessoas a falar das marcas, a darem validade às marcas. 46% Da sociedade global entre os 18 e 34, não têm brand loving por nada. Isto quer dizer que se não houver uma legitimidade, um legado, uma memória coletiva para a histórias que estão a ser contadas there’s no brandin loving.

 

P: Uma última questão, se pudesses fazer um ponto-chave desta tua apresentação, o que dirias?

R: O valor da emoção. Ou seja, essa sim é o motor, é elemento catalisador, para que haja o tal engagement.  Essa é métrica mais valiosa desta apresentação.

 

João Vitória e Vasco Durão, Shaker

 

P: O que é o Shaker?

João: Essencialmente o Shaker é um simulador de criatividade. Estamos a tentar desmistificar a ideia que só as pessoas que têm criativo no nome na sua função é que são criativas. É mostrar que em todas as profissões, se conseguirmos incorporar elementos de criatividade, a profissão vai ser muito mais agradável para a pessoa e os resultados vão ser garantidamente melhores.

 

P: Vocês sentem realmente isso, que é preciso criatividade em qualquer trabalho que se faça?

Vasco: Penso que não é preciso, ela está lá. Acho que as pessoas muitas vezes demitem-se de ser criativas porque não se sentem confortável, como têm medo de arriscar. Um sapateiro tem de ser altamente criativo para pôr um sapato outra vez a andar, como um publicitário tem de ser criativo para montar uma campanha. É o mesmo princípio.

 

P: É isso que vai trazer, em última análise, uma diferenciação para os produtos?

V: Acho que foi um problema dos problemas do nosso meio da comunicação, onde houve uma altura que se começou a dar a criatividade de graça para ganhar na produção e quando se dá a criatividade, que no fundo é a nossa mais-valia, é estar a denegrir a própria profissão. Em tempos de crise, as ideias e a capacidade de as por em ação e de as concretizar, vai fazer claramente a diferença e a criatividade está ai e é o bem mais democrático que existe à face da terra.

J: O marketing precisa de mais criatividade porque até há poucos anos atrás as marcas competiam umas com as outras nos Estados unidos, competiam umas com as outras na França competiam umas com as outras. Hoje competem todas pela nossa atenção.

Eu não me lembro do último livro que comprei em Portugal. Não me lembro do último livro que comprei numa loja física. Eu compro maioritariamente onlne. E o facto é que, seja qual for o tipo de produto neste momento, eu tenho alternativas em todo o mundo com uma coisa muito mais personalizada para mim e não um produto generalista que todos compram.

 

P: No fundo, e pegando na apresentação da Vice e o story telling, as pessoas querem algo único? É isso?

V: O story telling, está-se a tornar o novo jargão da comunicação mas é verdade. Uma marca que conte uma história, mais até que contar a história, esta tem de ser verdadeira. Isso é que interessa ao consumidor. O consumidor já não vai em “tangas” e histórias mal vendidas.

J: Não é só a marca a contar a história. Eu quando compro um produto, quero que esse produto reflita a minha história. Dai uma das áreas mais quentes em termos de produtos ser sempre os telemóveis. Apple vs. Android/Samsung, o que o quiserem chamar. Comprar um destes aparelhos também diz muito sobre nós. Não são só as marcas têm de contar uma história, eu quero que o meu produto conte a minha história pessoal e ai o desafio é bem superior e é preciso criatividade para saber contar essa história.

 

P: Última questão, onde as pessoas os podem encontrar?

V: O Shaker agora começará na Restart num formato de dois dias. Vai recomeçar dia 10 e 12 de Maio (2014) e depois temos 4 formatos do workshop onde o objetivo é ir às empresas, vamos estar agora no CCB, e aproveitar a grande vantagem do Shaker. Temos o desafio de uma marca como a EDP e nós vamos lá e fazemos uma coisa adequada ao que eles precisam de resolver. No fundo é um “abanar” diário que cada vez que nós fazemos um, obtemos novas ideias. O objetivo é esse, fazer para o cidadão comum, fazer para empresas e fazer para quem quer abanar connosco e propor exercícios e o contar de histórias para sair da sua zona de conforto. No fundo é trabalhar a criatividade que há dentro de nós.

J: Aliás o Shaker por ser sobre criatividade, ele próprio é criativo. E é como o Vasco estava a dizer, estamos sempre a criar novos formatos.

O mais fácil para nos encontrar, é o Facebook, ou eu ou o Vasco. Um dia destes, quando eu me organizar, o Shaker.pt terá lá qualquer coisa que não: “este domínio foi comprado mas ainda não tem cá nada” ou então Faceboo.com/shaker.pt, já existe e já publicamos 0 coisas lá mas estamos a começar a dinamizar mas diria que hoje não é difícil encontrar quem quer que seja ou tipo de informação com as redes sociais, etc.

V: O objetivo básico do Shaker é: a brincar atingem-se resultados muito sérios. O gozo maior que já tivemos foi as pessoas chegarem ao fim e dizer: “não fazia ideia que era tão criativo”. E pegando no não fazia ideia, falo do “Não faço ideia” que foi um livro que escrevi que no fundo conta um pouco a minha experiência, a minha forma de pensar a criatividade, muito à americana, inspirado em muitos dos livros que nós gostamos de ler que no fundo acaba por ser um espelho da forma como gosto de pensar a criatividade.

 

António Paraíso

P: Segundo o António, vem ai um novo paradigma no mundo do trabalho

R: eu acredito que o desemprego vai aumentar no mundo inteiro, é a organização mundial do trabalho que o diz em Genebra, 200 milhões de desempregados no mundo e não é possível resolver este problema com o paradigma atual com um emprego das 9 às 6, ir à mesma empresa todos os dias e fazer a mesma coisa. Aquilo que expliquei, as ideias da professora Lynda Gratton e o professor Thomas W. Malone, em que no futuro daqui a 10 – 15 anos, os profissionais vão trabalhar em part-time em projetos por tempo determinado, e não vão ter um emprego vitalício e não vão ter só um projeto ou trabalham num projeto a full-time apenas por um curto espaço de tempo e estar na constante procura do próximo projeto, como fazem as pessoas em Hollywood, por isso o nome como trabalhar à moda de Hollywood.

 

P: Como se pode um profissional de Marketing preparar para este mundo?

R: Trabalhando a marca pessoal e fazendo planeamento.

1º Trabalhar a elasticidade mental, porque de repente somos apanhados de surpresa, por este este novo paradigma e não estamos ainda com o “chip” preparado. Pensar fora da caixa, pensar fora do óbvio e enfrentar o novo paradigma.

2º Fazer muito planeamento, onde estão as oportunidades onde eu posso acrescentar valor, onde estão os projetos. Se moro em Lisboa, no Porto ou Aveiro, hoje posso trabalhar em Zurique, Londres ou no Algarve.

3º Trabalhar o Personal Branding, para se dar a conhecer ao mercado, para que as empresas o encontrem.

 

P: Como se podem preparar as empresas para este novo futuro que vem ai?

R: Por um lado pressionando o legislador para criar uma legislação para que permita a flexibilização de trabalho. Isto em termos fiscais, em termos planos de saúde e muito mais. Depois acreditando que é possível trabalhar com bons profissionais em par-time. Não tem de haver este paradigma de tempo inteiro só porque sim. Experimentando, depois de experimentar e ver que funciona perdem o medo e aversão ao risco.

À muito menos Risco para a empresa, permite-lhe fazer uma gestão mais magra dos recursos, permite-lhe ter bons profissionais qualificados e experientes durante o tempo de projeto e não para toda a vida.

 

P: Uma última questão, se tivéssemos de retirar da sua apresentação só o ponto-chave, qual seria?

R: Mudar a mentalidade e trabalhar a elasticidade mental. Com o paradigma atual e com a mentalidade rígida que temos de trabalhar numa empresa durante muitos anos, das 9 às 6, não vamos lá. Mudança de mentalidade sobretudo

 

Subscrever e não perder mais um episódio:

RSS de Podcast: http://marketing-digest.podomatic.com/rss2.xml
iTunes: https://itunes.apple.com/pt/podcast/podcast-marketing-digest/id844099136?mt=2
Facebook: https://facebook.com/appmnews
Twitter: https://twitter.com/mktdigest
Youtube: http://youtube.com/appmpt

 

Download Podcast áudio

  • APPM – Marketing Marathon 2017
  • Entrevista Paulo Veiga (SONAE) e Lídia Monteiro (Turismo Portugal) – Marketing Digest Ep.35
  • Entrevista Luís Mergulhão (OMD) e Pedro Janela (WYGroup) – Marketing Digest Ep.34
  • If Carlsberg Did Haircuts…

Deixe um Comentário

O seu email não será publicado.

Pode utilizar HTML